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Nova biografia de Paulo Freire, o patrono da nossa educação


Neste instante quando a educação, a cultura e a as artes em geral estão sob ataque ideológico no Brasil e são afetadas de forma tão negativa por iniciativas do governo federal, o mundo acadêmico e estudantil do país recebe com satisfação a notícia do lançamento, neste segundo semestre, da biografia O educador: um perfil de Paulo Freire, do professor Sérgio Haddad (foto).

Professor Sérgio Haddad

Paulo Freire (1921-1997) criou método inovador de alfabetização, para adultos, trabalhando com palavras geradas a partir da realidade dos alunos.

No início da década de 60, Freire, preocupado com o número de adultos analfabetos na área rural dos estados nordestinos, alfabetizou grande contingente de excluídos baseado no vocabulário do cotidiano dos alunos. As palavras eram discutidas e colocadas no contexto social do indivíduo. Por exemplo: o agricultor aprendia as palavras, cana, enxada, terra, colheita, fogo etc. e era levado a pensar nas questões sociais relacionadas ao seu trabalho. A partir das palavras base, construía-se novas palavras e se ampliava o vocabulário.

A iniciativa do educador foi aplicada, inicialmente, na cidade de Angicos, sertão do Rio Grande do Norte. O projeto ficou conhecido como “Quarenta horas de Angicos”. Os fazendeiros da região chamavam a iniciativa educativa de “praga comunista”.

A ditadura, decorrente do golpe de 1964, acusou Freire de agitador e o levou à prisão. Em seguida, Freire se exilou no Chile. Durante cinco anos desenvolveu trabalhos em programas de educação de adultos no Instituto Chileno para a Reforma Agrária daquele país. Em 1969, Freire lecionou na Universidade de Harvard. Durante dez anos, foi consultor do Departamento de Educação do Conselho Municipal das Igrejas, em Genebra, na Suíça. Viajou por vários países do Terceiro Mundo dando consultoria educacional.

Em 1980, com a anistia, Freire retornou ao Brasil, estabelecendo-se em São Paulo. Foi professor da UNICAMP e da PUC, e secretário de Educação da Prefeitura de São Paulo, na gestão de Luísa Erundina.

Por seu trabalho educacional, Freire foi reconhecido mundialmente. É o brasileiro com mais títulos de Doutor Honoris Causa de diversas universidades, são 41, ao todo, entre elas, Harvard, Cambridge e Oxford. Freire, que faleceu em São Paulo, em 2 de maio de 1997, é o patrono da educação brasileira, conforme a Lei nº 12.612, do dia 13 de abril de 2012.

Obras de Paulo Freire

Educação Como Prática da Liberdade (1967)

Pedagogia do Oprimido (1968)

Cartas à Guiné-Bissau (1975)

Educação e Mudança (1981)

Prática e Educação (1985)

Por Uma Pedagogia da Pergunta (1985)

Pedagogia da Esperança (1992)

Professora Sim, Tia Não: Carta a Quem Ousa Ensinar (1993)

À Sombra Desta Mangueira (1995)

Pedagogia da Autonomia (1997)


O biógrafo Sérgio Haddad escreveu excelente artigo, publicado no jornal GGN, sob o título Quem tem medo de Paulo Freire?. Diz Haddad: Bolsonaro e Olavo de Carvalho tentam bani-lo com gritos e xingarias. Que tolos: quanto mais berram, mais dão razão ao educador que dizia: “a classe dominante brasileira jamais desejará que as maiorias sejam lúcidas”

Leia o artigo aqui



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