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Histórias sobre a vida de Tom Zé

Atualizado: 14 de Ago de 2019

O compositor e cantor Tom Zé, um jovem de 83 anos de idade, recebeu uma biografia de Pietro Scaramuzzo, escritor e jornalista italiano que teve a luminosa ideia de convidar para prefaciar a obra David Byrne, músico escocês, radicado nos EUA. Byrne, que já foi premiado com Grammy e Oscar, conheceu Tom Zé nos anos 80 e, desde então, acompanha a caminhada poética e musical do artista brasileiro, difundido globalmente sua arte.

A biografia, “Tom Zé, l'ultimo tropicalista” (ADD Editore), será lançada em outubro, na Itália, e sua tradução para o português deverá chegar às livrarias brasileiras em 2020. O autor está negociando os direitos de comercialização com uma editora no Brasil.

Scaramuzzo foi entrevistado pelo repórter Marcos Alves ( jornal O Globo), que lhe perguntou: por que Tom Zé?


Escrevo sobre música brasileira numa revista na Itália chamada “Musica jazz” e no site Nabocadopovo.it. Quando marquei a primeira entrevista com ele foi para esses projetos. Tom Zé me recebeu na casa dele e, antes que eu pudesse fazer a primeira pergunta, ele já estava me explicando as teorias sobre o tropicalismo. A complexidade teórica que ele me mostrou ia muito além da música, alcançando conceitos filosóficos, literários que pertenciam a um universo cultural até então desconhecido por mim. Por curiosidade, senti a necessidade de pesquisar mais. Quando vi tinha tanto material que talvez desse um livro. (...) vi o artista como o remanescente, aquele que mantinha conceitos e linguagem que o movimento propunha na época. Conceitos que incluem o antropofagismo da cultura musical internacional e a preservação das raízes culturais brasileiras. É o famoso “misturar chiclete com banana”. Na música de Tom Zé, esta mistura insólita é constantemente presente e se renova a cada disco.

Scaramuzzo pesquisou conteúdo jornalístico brasileiro e internacional que citava Tom Zé, vídeos de entrevistas e performances; entrevistou Caetano Veloso, David Byrne, Gilberto Gil, Rita Lee, Arto Lindsay (guitarrista, EUA), Luiz Tatit (músico, lingüista e professor universitário brasileiro), Washington Olivetto (publicitário), Zé Miguel Wisnik (músico, compositor e professor de Literatura Brasileira USP), entre outros. Mas a grande fonte de informação e inspiração de Scaramuzzo foi a memória de de Tom Zé. "Além disso, tive a oportunidade de ler as cartas que Byrne e Tom Zé trocaram e de dar uma olhada no álbum de família de Tom Zé, o que tornou familiares a mim personagens do livro". O biógrafo acrescentou que foi interessante descobrir o Tom Zé ser humano, que vem antes do artista. (Antônio José, seu nome de batismo), "Criança medrosa e acanhada, repleta de simplicidade e genialidade, um artista refinado", concluiu.




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