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Duas biografias para Irmã Dulce

Atualizado: 25 de Set de 2019

O jornalista Graciliano Rocha lançou a biografia A Santa dos Pobres, bela história de Maria Rita de Souza Brito Lopes, nome de batismo da Irmã Dulce, após oito anos de trabalho, mais de uma centena de entrevistas, viagens à Itália, à França e aos EUA, busca de documentos na Biblioteca do Vaticano, eportagens nas ruas, em hospitais e conventos, conversas com bispos e cardeais.

O outro jornalista, Valber Carvalho, após concluir a pesquisa e a escrita sobre a vida da Irmã Dulce, sentiu-se inspirado e chamou a religiosa de Anjo Azul dos Alagados,

imagem mais do que justa, por isto, tornou-se título da obra. Em artigo para o site da Associação Baiana a Imprensa (ABI), Valber descreve o árduo percurso de produção da obra. “Milhares de documentos escritos foram lidos e catalogados, informações primárias oficiais – de dentro e de fora da Igreja – ou outras publicadas em jornais de todo o país, serviram para embasar as informações valiosíssimas de centenas de relatos orais gravados, muitos deles completamente inéditos”, ressalta o texto.

Maria Rita era a segunda filha do dentista e professor universitário Augusto Lopes Pontes e da dona de casa Dulce de Souza Brito. Ela nasceu em Salvador, em 1914, dessa família de classe média com conexões na política da Bahia. Seu avô paterno fundou o Colégio Santo Antônio, santo de devoção da família. Irmã Dulce – depois Beata Dulce dos Pobres, após a beatificação em 2011 e, a partir de 13 de outubro deste ano, com a canonização, Santa Dulce dos Pobres. O nome Dulce, como se vê, é uma homenagem à mãe, falecida em 1921. A jovem entrou para o convento em 15 de agosto de 1934, depois de lutar contra a resistência do pai, que traçara para ela o roteiro de todas as moças de classe alta da Bahia. O dentista Pontes, amigo do cardeal Augusto Álvaro da Silva, primaz de Salvador, ia à missa aos domingos e comungava, era um católico fiel, mas não se conformava com a vocação da filha. No fim, concordou. Acompanhou Maria Rita à cidade de São Cristóvão, em Sergipe, onde ela recebeu o hábito azul e branco e recebeu o nome de Irmã Dulce.

O dentista chorou, emocionado, lembrando-se da menina levada – “muito terrível”, como ela se definia – que também gostava de boneca, mas preferia fazer guerra de mamona no quintal e soltar pipas na rua. Domingo era dia de futebol, no Campo da Graça. Era um programa de gente rica, de rapazes alinhados e senhorinhas. “Até os 13 anos, eu era louca por futebol, e o maior castigo que eu poderia receber, se eu pintava muito durante a semana, era aos domingos não ir ao fubebol com meu pai”, relembraria Irmã Dulce em entrevista, já no convento da Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição, onde morou antes de ser transferida para Salvador.

Na Bahia, Irmã Dulce dedicou-se à assistência aos pobres. Mendigos e doentes eram acolhidos em um hospital, crianças abandonadas iam para um orfanato. Desempregados recebiam refeições, passagens de ônibus para voltarem à terra natal e uma cama para dormir até a solução do problema. O escritor Paulo Coelho, então um jovem perdido em Salvador, após ter fugido de um hospital psiquiátrico no qual fora internado pelos pais, recorreu a Irmã Dulce. Entrou na fila e contou sua história. Irmã Dulce ouviu e, sem nada perguntar, escreveu: “Vale um bilhete de ônibus”, e assinou. “O primeiro motorista que leu o que estava no papel mandou que eu embarcasse.”

Irmã Dulce foi declarada venerável pela Congregação para as Causas dos Santos do Vaticano em 21 de janeiro de 2009, deixando-a mais próxima da beatificação. Em 3 de abril do mesmo ano, o Papa Bento XVI aprovou o decreto de reconhecimento de suas virtudes. Em 9 de junho de 2010, o corpo de Irmã Dulce foi exumado, velado e sepultado novamente, como último estágio do processo de beatificação. Em 27 de outubro do mesmo ano, o cardeal arcebispo de Salvador e primaz do Brasil, Dom Geraldo Majella Agnelo anunciou a beatificação da religiosa, em uma coletiva de imprensa realizada na sede das Obras Sociais Irmã Dulce, tornando-a a primeira bem-aventurada da Bahia. O anúncio foi sucedido pelo decreto em 10 de dezembro de 2010 e aconteceu após o reconhecimento de um milagre pela intercessão da religiosa na recuperação de uma mulher sergipana, que havia sido desenganada pelos médicos após sofrer uma hemorragia durante o parto.

No dia 22 de maio de 2011, Irmã Dulce foi beatificada em Salvador, e passou a ser reconhecida como "Bem-Aventurada Dulce dos Pobres". A Solene Eucaristia de Beatificação foi presidida pelo enviado especial do Papa Bento XVI, Dom Geraldo Majella Agnelo, arcebispo emérito de Salvador. Nessa mesma solenidade foi declarado o dia 13 de agosto como a data de sua festa litúrgica, que é comemorada em Salvador, e em

pelo menos 28 igrejas e capelas de outros estados. Nesse dia, em 1933, a religiosa fez sua profissão de fé e votos perpétuos, tornando-se freira. A data também é comemorada pela Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, mas sua festa litúrgica é celebrada em 13 de março nessa denominação.

Em 13 de maio de 2019, o Vaticano reconheceu um segundo milagre de Irmã Dulce, a cura de uma pessoa cega. Com isso, a beata poderia ser canonizada, recebendo o nome de Santa Dulce dos Pobres. Quase dois meses depois, em 1 de julho, a Santa Sé oficializou a data de canonização: 13 de outubro do mesmo ano, no Vaticano. (Texto elaborado a partir do site https://pt.wikipedia.org/wiki/Irm%C3%A3_Dulce).


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