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A autobiografia é o quinto livro escritor por Jean Wyllys

Muita gente diz, e com razão, que o ex-deputado Jean Wyllys ocupa mais espaço na mídia e nas redes sociais hoje, quando vive fora do Brasil, do que no tempo em que era parlamentar em Brasília, antes de sua renúncia e seu exílio, na Alemanha.

A opinião comum entre seus correlegionários é que, desde que foi embora, sua comunicação melhorou e suas mensagens tem mais conteúdo.

Ele acabou de lançar autobiografia, escrita em parceria com Adriana Abujamra, O que será – A história de um defensor dos direitos humanos no Brasil.

Jean Wyllys de Matos Santos é jornalista e professor universitário e foi eleito deputado pela primeira vez em 2010, reelegendo-se duas vezes, pelo PSOL-Partido Socialismo e Liberdade do Rio de Janeiro.

Ele conta a sua história desde a infância (nasceu em 1974, em Alagoinhas, Bahia).

Fala de homofobia, dos LGBTs, da sua vida estudantil, da convivência partidária, dos tumultuados mandatos como parlamentar.

A autobiografia é o quinto livro dele.

As outras obras são Aflitos (2001); Ainda lembro (2005); Tudo ao mesmo tempo agora (2009);Tempo bom, tempo ruim: Identidades, políticas e afetos (2014).

Enquanto deputado, em Brasília, Jean Wyllys assinou colunas na revista Carta Capital, no portal iGay e na rede Mídia Ninja, e foi apresentador de televisão, programa Cinema em Outras Cores (Canal Brasil).

Em paralelo, exerceu a docência com aulas no programa de pós-graduação em Infeção HIV/Aids e Hepatites Virais da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) e na Universidade Veiga de Almeida (UVA).

Em meados de 2018, começou a sofrer ameaças de morte, o que levou a Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA) a exigir providências e proteção a ele por parte do governo federal.

Em 24 janeiro de 2019, Jean Wyllys anunciou a desistência de assumir o terceiro mandato como deputado federal, garantido nas eleições de 2018, e deixou de viver no Brasil.

O exílio, as palestras, entrevistas e debates em diversos países; a defesa que faz da democracia e dos direitos humanos; a sua oposição a Bolsonaro, tudo isto, com certeza inspira Jean Wyllys a resistir na sua trincheira com as armas que sabe usar com destreza, a escrita e a tecnologia da informação.

Assim, sua presença no cenário político e cultural do Brasil tende a ser ampliada.

A repórter Marcella Franco, do jornal Folha de S. Paulo, leu a autobiografia;chamou-lhe a atenção o foco de Jean Wyllys na sua participação na quinta edição do Big Brother Brasil,

evento que o projetou nacionalmente, cuja narrativa ocupou um capítulo.

Outro capítulo que Marcella destacou foi o penúltimo da segunda parte (O processo), no qual Jean Wyllys narra em detalhes o dia da sessão na Câmara dos Deputados em que foi aberto o processo de impeachment de Dilma Roussef, em abril de 2016 – a votação da

maracutaia, conforme ele mesmo definiu.

Estão nesse capítulo a cusparada, desferida no então deputado Jair Bolsonaro, e os motivos que levaram Jean Wyllys a esta atitude.

Segundo Marcella, Wyllys disse que nada na reação dele contra Bolsonaro fora planejado e deixou claro que não se arrependeu do ato (enquanto houver saliva, haverá cuspe, diz ele).

Algum capítulo à frente, Jean Wyllys resume Bolsonaro em sua vida: Fui transformado num pária pelos eleitores desse maldito.

No entender de Marcella, a leitura de O que será pode ser recomendada não apenas aos eleitores de Jean Wyllys e aos interessados na política em geral, mas também para aqueles contrários às ideologias do autor.


O que será – A história de um defensor dos direitos humanos no Brasil

Jean Wylllys, com Adriana Abujamra

224 páginas

Editora Objetiva

R$ 49,90

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